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Estrelas Além do Tempo" revê história dos anos 60, mas chega na hora certa
31/01/2017 - 11h29 em Entretenimento e Tv

Era 1962, auge da Guerra Fria. Mas podia ser 2017. O filme "Estrelas Além do Tempo", que estreia no Brasil na próxima quinta-feira (2), levanta temas que poderiam ter ficado guardados no passado, mas que mais de cinco décadas depois ainda estão em alta.

Segregação racial, preconceito contra a mulher e um país dividido são alguns dos temas retratados nos 127 minutos do drama histórico dirigido por Theodore Melfi e nas 352 páginas do livro de Margot Lee Shetterly. Eles surgem na história das matemáticas negras que trabalharam na Nasa como "computadores humanos" e fizeram com que o primeiro astronauta norte-americano, John Glenn, fosse ao espaço no auge da corrida espacial com a Rússia, que colocou Iuri Gagarin fora da Terra um ano antes, em 1961. 

Enquanto o filme foca em três personagens, Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), o livro traz um panorama mais amplo sobre as mulheres que trabalhavam "escondidas" no centro de pesquisas Langley, base da Nasa, e também sobre Hampton, cidade no Estado da Viriginia berço de uma comunidade negra de cientistas, matemáticos e engenheiros, e local onde nasceu a acadêmica independente autora do livro que deu origem ao filme.

Trailer legendado de
 
 
  • Figuras escondidas

    "Hidden Figures" (Figuras Escondidas) é o título original do livro e do filme em inglês. Na época retratada, as mulheres da Nasa ainda ficavam isoladas e agregadas em grupos e locais específicos, sem acesso às reuniões ou às salas de controle e espaços em que as decisões eram tomadas. Os cargos também se resumiam a funções consideradas mais simples. Mais de cinco décadas depois, as mulheres ainda têm de lutar para receber salários iguais quando ocupam as mesmas funções dos homens, e causam estranheza ao assumir trabalhos considerados historicamente masculinos. A própria Margot Lee Shetterly, autora do livro, só descobriu e revelou a história das matemáticas negras da Nasa depois de notá-las quase apagadas no canto de uma foto da época em que seu pai atuou nos escritórios de Langley.

  • Lugar de mulher é...

    Katherine Johnson foi confundida com uma faxineira ao chegar para trabalhar como auxiliar de um dos diretores da Nasa nos cálculos que levariam um astronauta americano ao espaço. Dorothy Vaughan chamou a atenção de um policial na estrada ao consertar o motor do carro que ela mesma conduzia com as duas amigas todos os dias em direção ao trabalho. Não fosse Mary Jackson fazer o trabalho de um engenheiro, uma das peças da cápsula que levou o primeiro americano ao espaço continuaria soltando-se a cada teste. Mesmo que despropositadamente, aquelas três mulheres davam os primeiros passos em direção à luta que continua pela presença feminina em todos os espaços,

  • País dividido

    "Estrelas Além do Tempo" desbancou as três semanas de liderança de bilheterias de "Rogue One: Uma História Star Wars" ao estrear nos Estados Unidos, em 6 de janeiro, duas semanas antes da posse de Donald Trump como presidente. Se a história do filme mostrava um país dividido por causa da segregação racial que ainda imperava em vários estados, o público que foi assistir ao drama se encontra também em um país dividido, desta vez por questões políticas. As ações do atual presidente norte-americano contra imigrantes e refugiados remetem a situações vividas pelas matemáticas da Nasa, como quando Katherine é obrigada a andar mais de um quilômetro a cada vez que precisa usar um banheiro exclusivo para negras, já que ela não pode dividir um ambiente íntimo com brancas.

  • Pioneirismo

    Não fosse os conhecimentos de Dorothy Vaughan em programação, a "máquina da IBM" (um computador) não faria os cálculos automáticos que apressaram os trabalhos dos Estados Unidos na corrida espacial. O astronauta John Glenn, primeiro americano a ir para o espaço, se recusou a viajar antes de que Katherine Johnson checasse os cálculos do trajeto, que tinham sido alinhados pela tal máquina. A perseverança de Mary Jackson a levou a ser a primeira negra a frequentar aulas em uma universidade exclusivamente de brancos, tornando-se posteriormente a primeira engenheira da Nasa. Histórias como estas ainda inspiram mulheres no mundo todo a se livrarem das imposições e seguirem os seus sonhos.

  • Créditos: Portal Uol
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